segunda-feira, 16 de julho de 2012

Fale-me sobre você

"Fale-me sobre você..."
Existe no mundo interrogativa indireta mais intrigante do que esta?
Já me deparei com essa pergunta algumas vezes e, na maioria delas, em situação não muito confortável.
Há tantas maneiras de respondê-la... Seríamos  falsos por darmos respostas diferentes? Ou seres covardes, que não a respondem com sinceridade, somente para agradar o interlocutor?
A Psicologia diz que não, aliás, os psicólogos dizem que essas diferentes "faces" de nós mesmos são essenciais para nossa vida em sociedade.

Entrevista de emprego, primeiro encontro com um possível futuro romance, perfil em rede social, sessão de terapia, consulta médica... "Fale-me sobre você". A mesma pergunta, diferentes questões.

Afinal, será que é tarefa fácil respondê-la?
E se não houvesse bom senso na resposta? Ficaria um entrevistador de emprego interessado em meus gostos culinários? Ficaria um affair interessado em meus conhecimentos sobre Boeings 737-700 e 800? Seria interessante colocar em uma rede social as minhas maiores dificuldades? Me é lícito escrever num blog sobre algumas delas? Me divirto com essas possibilidades...

Quantos questionamentos em uma pergunta indireta de apenas quatro palavras.
Faço um parêntesis para, mais uma vez, questionar o papel das redes sociais em nossa vida. Já notaram o quanto não fazemos mais essa pergunta? Quer saber sobre alguém, simplesmente procure-o no Facebook ou qualquer outra rede social. Ali, através de fotos, declarações e opções "curtir" traça-se o perfil de uma pessoa. Isto é tão verdadeiro, que hoje em dia empresas valem-se desta ferramenta para contratações ou não-contratações.
No primeiro encontro, já sabemos mais sobre a outra pessoa do que ela possa esconder. Sem grandes surpresas na hora do "Fale-me sobre você", a não ser que o "você" minta.
Redes sociais podem ser úteis, ajudando um recrutador ou até alguém a ter assunto no primeiro encontro, mas eu ainda gosto de ser confrontada por essa pergunta, independente do propósito. Quando alguém diz isso, demonstra interesse em saber sobre mim. Pensando nisso agora, vejo que não conheço muita gente que convivo a anos. Faltou-me disposição em buscar ouvir as respostas de outras pessoas. 

O autoconhecimento é uma maneira incrível e eficaz de crescer e amadurecer. "Fale-me sobre você", é uma pergunta intrigante demais para que eu deixe de respondê-la. Recomendo a quem nunca se fez essa pergunta, a ousar fazê-la. Não tenha pressa em responder, nem tente finalizá-la, pois, afinal, somos seres em construção e em crescente reconstrução.
Amanhã, posso ser alguém diferente e ninguém no mundo pode me julgar por isso. Algumas coisas permanecerão inalteradas, como minha fé inabalável em Jesus Cristo, o amor que sinto por algumas pessoas e a história que escrevi até aqui. Outras são transitórias ou ainda estão sendo escritas.

Talvez eu publique aqui um texto autobiográfico, mas ainda acho narcisista e não creio que haja muito interesse por parte de quem lê. Talvez eu publique, para ter um retrato de mim mesma daqui alguns anos.
De qualquer forma, nada como um  bom café pra conhecer alguém. Mil vezes melhor que um blog, ou a internet. Fujamos da superficialidade e busquemos conhecer uns aos outros e principalmente, a nós mesmos.










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