quinta-feira, 12 de julho de 2012

Sobre fontes,plágio e falsidade ideológica

Uma das coisas que mais me irritavam no Facebook era a ausência de respeito às fontes de textos, frases e fotos.
Cheguei a brincar com isso uma vez.
Se não sabe o autor e ele está falando algo que mulheres carentes adoram ouvir, coloque no final "Arnaldo Jabor".  Ou se é feminista e quer dá mais significado ao texto, dá-lhe Jabor novamente. Tadinho do Arnaldo. 'Deixa' ele sonhar as coisas que dizem que ele diz...

Se sua amiga, que conhece um pouco o Jabor, diz que o texto não parece ser dele, é simples: "Luís Fernando Veríssimo" no final. Não importa se o texto está cheio de erros de ortografia.... é só uma "licença poética".

Se o texto fala sobre ser chique, nada como uma foto e a assinatura de Glória Kalil no final. Pobre
Glorinha. Se visse as coisas as quais vinculam seu nome... Bom seria se quem faz isso, seguisse o que ela (ou que dizem que ela) diz. Chique é ser inteligente.

 Não vou nem entrar nas frases que assinam Jesus Cristo no final. A estes, eu deixo que Deus se acerte.

Agora, vejam só! Essa pobre e humilde blogueira, cheia de erros de redação, também já foi vítima de plágio . Um exemplo clássico disso e o mais impressionante, foi quando nos meus últimos meses de Facebook, escrevi um texto comentando um incidente a bordo de uma aeronave da TAM. Foi um texto espontâneo, como este que você lê agora, sem qualquer pretensão de ser difundido. Era um texto meu, numa rede social, portanto, tão mal escrito como todos os outros. Mas alguns amigos gostaram e perguntaram se podiam copiar e colar em suas páginas. Tive a (in)felicidade de colocar nos comentários: "Amigos, fiquem a vontade para compartilhar". Foi uma virose explosiva! (eu sei que isso não existe. "Licença poética"). Duas horas depois e amigos da Aviação que nem tinham lido o texto na minha página, já estavam compartilhando minhas palavras. E como quem conta um ponto, aumenta um ponto- e no caso de nós, brasileiros, uma exclamação também- o texto voltou para mim sem o seu final e dando como autora uma "comissária da TAM". Não serei hipócrita em dizer que não me importei, afinal, eram minhas as palavras.

Tentei esclarecer o ocorrido num grupo de tripulantes da empresa em que trabalhava. Sabe o que obtive como resposta?
-"O importante é que a mensagem seja divulgada".
 -Como assim? Se o importante é que a mensagem seja divulgada, então porque ninguém escreveu antes?
- "Ah, porque suas palavras eram boas..."
-Então quer dizer que quem escreveu importa sim!

Resumindo o final da história, o texto hoje roda o Facebook dizendo que a autora é uma comissária da TAM que estava no voo. Peço desculpas a essa tripulação, mas não fui eu que fiz uso de suas identidades.
Como diria o verdadeiro Jabor : "Ah, o sentimentalismo latino!".

Enfim, o que quero dizer sobre fontes, plágio e falsidade ideológica é que, depois de publicado, um texto desprende-se de seu autor e ganha vida própria. Por mais que alguém tente lutar pela "paternidade" do texto, a versão difundida é a que os leitores gostarem mais ou a que se espalhar mais rápido. O escrito deixa de ser do escritor e passa a ser de domínio público. Outras vezes, como no caso do Jabor, os leitores gostam tanto do autor que o nome dele passa a ser domínio público, sendo ele obrigado a aceitar alguns "filhos adotivos". 
Não cabe,portanto, a quem gosta de escrever, ser vaidoso.
Essa é a realidade que trucida nosso ego, caros poetas, escritores, cronistas, blogueiros e palpiteiros. A nossa mensagem sempre vai falar mais alto que a gente.

Eu, humildemente, agradeço a quem lê este blog, porque não há nada que doa mais em quem escreve, do que imaginar que fala sozinho.
E como assinaria minha diva, Jane Austen, que deve ter constatado que "a mensagem é mais importante do que quem a escreve",

By a Lady.





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