quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Da beleza de ser normal

Dois meses se passaram desde o meu último dia como comissária. Apesar de pra mim parecer ter muito mais tempo e pra outros eu ainda ser comissária,  eu vivo uma nova realidade.
Eu ainda não sou mãe, mas já sou normal , ao contrário do que previu a criança do último post.

Minha vida mudou muito desde então e reaprender a viver normalmente foi difícil, apesar de meu coração estar tranquilo.
Hoje eu entendo que não é modo de falar quando um tripulante diz que vive fora da realidade. Eu vivia realmente numa dimensão de tempo e espaço diferente.

Estou reaprendendo muitas coisas: Participar de atividades, aniversários e festas regularmente, encontrar as pessoas com mais facilidade, pegar ônibus, enfrentar o trânsito da mesma cidade todos os dias, ter tempo para fazer coisas que antes eu não tinha, além de muitas outras coisas que fazem parte da normalidade e a gente nem percebe.
Mas tenho sentido os dias de maneira diferente.

No último ano, eu dormi mais ou menos 85% dos dias em hotéis ou em quartos que não eram o meu. Dormi de quarto de pensão mofado a hotel cinco estrelas, mas nenhum deles me deu tanta satisfação como o meu quarto em casa (diga-se de passagem: das minhas duas casas). Me dá uma alegria tão grande saber que estou dormindo perto das pessoas que amo e que, a qualquer hora que elas precisarem, estarei disponível! Não vou mentir: gostava muito dos hotéis, mas às vezes a solidão e a distância me faziam sofrer. Não tem coisa pior que estar longe quando tem alguém precisando da sua presença, ou não vivenciar os momentos felizes. Esses momentos não voltam e dói muito saber disso.
Agora, faça chuva ou faça sol, eu posso estar com que eu amo.

Outra coisa que me faz ser normal, é que agora vivo mais ou menos de acordo com minha idade.
Eu já entendi que maturidade é uma coisa que não dá pra revogar, mas pelo menos agora faço as coisas que  pessoas de 20 anos fazem. Eu já estava até me esquecendo que tenho essa idade...
Agora sou universitária, tenho que me preocupar com provas, trabalhos, notas, mensalidade... Agora eu ganho menos que pessoas formadas, dependo em algumas coisas da minha família e minha conta bancária é como a da maioria dos estudantes: quase zerada. Eu achava que isso fosse trazer desconforto maior do que está realmente trazendo. Não é fácil voltar a não ter dinheiro, mas entendo que neste momento da minha vida, isso é normal e aceitável.
Eu ainda me sinto deslocada nas conversas e penso que sou um e.t. quando as pessoas da minha idade contam sobre seus conflitos e problemas,mas a maturidade que adquiri durante a minha vida e o crescimento que o último ano me trouxe são irrevogáveis. Meu desafio tem sido não me cobrar tanto, como a vida sempre me cobrou.

Tenho seguido a vida, como todos os outros colegas que tiveram o chão de baixo de si retirado.
Tenho aprendido a ser grata a Deus pelo que Ele me dá no dia de HOJE e procurado não pensar muito em como me imaginava neste ano. Se eu parar pra pensar em como virei o ano e pensei que ele seria, eu acho que piro.

Muitos outros projetos descortinam-se diante de mim e tenho pedido a Deus sabedoria para desenvolvê-los. Só sei que existe beleza em cada estação da vida, mesmo naquelas que parecem mais áridas.
De todas as mudanças que houveram, sei que as maiores foram dentro de mim e essas serão as mais significativas. "Momentos de impacto definem quem você é" e autocomiseração ou murmuração nesses momentos não acrescentam ou adiantam nada.

Existe beleza na normalidade, na rotina, no dia-a-dia, mesmo que a vida não esteja do jeito que você gostaria.

Seja grato a Deus, olhe adiante e bola pra frente!
"Basta a cada dia o seu próprio mal".

Deixo uma das músicas mais inspiradoras que conheço:
















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