terça-feira, 27 de novembro de 2012

"And the Oscar goes to..."

Há alguns anos, li numa revista uma polêmica acerca de uma frase da Gwyneth Paltrow, dizendo que o Oscar não a havia tornado mais feliz. É claro que os tabloides aumentaram tudo, afirmando que ela preferia não ter ganhado o Oscar e que pra ela este não significava nada etc, etc, etc. A frase dela, na verdade, foi o seguinte: " Para um ator, o Oscar é o prêmio mais cobiçado, mas quando você o ganha, aí é que percebe que é uma grande ilusão. Ele não me fez mais feliz." 

Hoje fiquei pensando em alguns "Oscars" que desejamos e isso me fez pensar na frase dela. Todo mundo tem "aquele lugar" que gostaria de chegar. Pode ser a casa própria, o emprego desejado, o corpo perfeito, o casamento dos sonhos, a viagem pra Europa... Enfim, cada um tem um objetivo, independente da classe social, idade ou momento de vida. 


Isso me faz lembrar uma outra história.
Quando eu era adolescente, ia ao Rio de Janeiro todos os anos com minha família. A gente ia de carro, ficava em quitinetes de Copacabana e, como todo mineiro que se preze, ia à praia todos os dias. Naquela época, meu sonho era morar no Rio e me tornar atriz. (Sério! Eu até fazia teatro! hahaha). Uma outra coisa a respeito dessas viagens é que a gente sempre ficava no mesmo lugar na praia. Um amigo nosso tinha uma dessas barracas na areia, que ficava em direção a um hotel chamado "Le Meridien" (hoje em dia Windsor Atlântica) e a gente se assentava ali todos os dias. O "Meridien" era um dos Oscars que eu desejava. Olhava pra ele e pensava: "O que será que a pessoa tem que fazer da vida pra ficar num hotel desses?". Pra quem ficava em ap(e)rtamentos de Copacabana, aquele hotel era um sonho intangível e absurdo. Era sonho mesmo, daqueles que a gente acaba se esquecendo devido a realidade.

Foi então que... era uma vez, uma menina que virou comissária de voo. Como a empresa sempre mandava a tripulação para o mesmo hotel no Rio (que apesar de todo mundo reclamar, eu amava!), nem prestei atenção quando o comandante perguntou para o rapaz da van para qual hotel iríamos. A van seguia o caminho para a Zona Sul, como era de costume. Estava tão cansada, que apaguei na van e só quando ela parou é que abri os olhos. Adivinhem em qual hotel íamos ficar? No meu sonho distante, que agora se chamava Windsor Atlântica.

Esse fato bobinho serviu pra me ensinar uma coisa: Nada é impossível. Às vezes, de uma forma não muito planejada, a gente acaba ganhando os "Oscars" que tanto sonhava.

Aí vem a pergunta: mas e depois?! O que vem depois do "and the Oscar goes to..." .

Aproveitando mais uma frase de celebridade, lembro de um entrevista do Leonardo Di Caprio em que uma jornalista perguntou o que "Titanic" representava em sua vida. Ele respondeu mais ou menos assim: " TITANIC com certeza foi e sempre será o maior filme da minha vida. Agora eu posso simplesmente ser um ator e fazer o que eu quiser. Tive sorte de ter conseguido isso no início da minha carreira".
(Não basta ser lindo e talentoso, tem que ser inteligente também..Afff!..) 

Essa colocação dele representa muito bem aquilo que tenho descoberto da vida. Depois dos "Oscars" podem acontecer duas coisas: ou a depressão, a ausência de pós-planos e a perda de sentido, ou a aceitação, o relaxamento e a leveza.

Acho que esses dois atores que citei descobriram essa leveza e eu, apesar de não ter ganhado nenhum prêmio ou feito um grande filme, também tenho descoberto isso. Quando um grande sonho meu se realizou (e agora não falo do Meridien...), eu me senti meio vazia de sentido, de objetivos, afinal, não tem uma frase que diz que "nossos sonhos nos movem"?! Pois é... Mas e depois que eles se realizam?

Sabe, não sou terapeuta, nem PhD em felicidade, mas posso dizer que viver cada fase, sentir o gostinho de cada dia, é o melhor que a gente pode fazer. Descobrir que nossa felicidade não depende dos outros, nem do reconhecimento deles é a melhor coisa do mundo!

Você não será mais feliz quando o homem dos seus sonhos descobrir que te ama. Também não será mais feliz quando sua conta bancária passar dos quatro dígitos. Nem aquela promoção que você tanto espera que seu chefe lhe dê, trará satisfação. Todas essas coisas podem trazer uma alegria momentânea, mas logo o vazio virá de novo, junto com a frustração.

Se reconhecimento, fama, amor, dinheiro e tudo aquilo que vem dos outros trouxessem felicidade, o Rivotril não seria hoje um dos remédios (senão O remédio) mais vendidos do mundo.

Acho que o apóstolo Paulo entendeu que a vida é completa em todas as suas fases, quando disse: "Aprendi a estar contente em toda e qualquer situação. Tudo posso Naquele que me fortalece".

Sonhar? Sempre.
Lutar? Todos os dias, mas mantendo a paz e a gratidão no coração.

Sem Oscars, sem sucesso estrondoso... Apenas a simplicidade daquilo que pode ser belo.



 

3 comentários:

  1. Que coisa mais linda esse teu texto. Fiquei muito feliz de saber que a Mineirinha aí, visita a minha cidade constantemente. Na vida a gente só tem o que merece e esse Oscar foi seu desde quando o desejo dele foi plantado em seu coração.
    Beijo grande, visite - nos mais vezes.

    PS: Já quis ser atriz também

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Muito obrigada, Marie!!! E eu aaaaamo o Rio!
    Tenho aprendido a reconhecer isso: a gente colhe o que a gente planta! Obrigada por me lembrar isso.
    Pode deixar que volto sempre que puder.
    Visite Minas também! Não temos praia, mas temos um povo de coração quente!..rsrs
    E sobre o fato de já querer ter sido atriz também... Talvez venha daí a nossa sensibilidade. :)

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