quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Últimos olhares e chances

Texto antigo, só agora publicado. Continuarei publicando alguns textos nascidos na Inglaterra.
Eu não queria publicá-los porque não os considero grande coisa, ainda mais por terem sido escritos na terra de Jane Austen. De qualquer forma, fica o primeiro, inspirado pela cidade que ela tanto falava. 


Eu estava sentada sozinha em um café de Bath. Ele estava sentado numa mesa próxima, tomando apenas água e parecendo ansioso pela chegada de alguém. E então ela chegou. Com a elegância e a beleza das inglesas, mas com um olhar triste. Sentou-se à mesa. Eu, mesmo que não fosse minha intenção, acabei ouvindo a conversa. Apesar do sotaque britânico algumas vezes ser de difícil compreensão para mim, consegui captar algumas coisas. Ela dizia:  "-Te pedi tantas vezes. Falei tanto, que me cansei.". Respondeu ele: "Mas eu te prometo que dessa vez será diferente. Eu juro que estou arrependido. Você é o que mais importa pra mim agora".
Eu me levantei, porque já sabia qual seria o desfecho daquela cena e quis respeitar a dor de ambos.

Estou certa de que ele não teria uma outra chance.

No filme "Elizabethtown", o personagem do Orlando Bloom diz que é especialista em "últimos olhares". Eu também sou capaz de reconhecê-los e estou certa de que o olhar dela era um desses. Se fosse um filme de romance, com certeza torceríamos para que ela lhe desse uma segunda chance, aliás, se isso não acontecesse, ela se tornaria a grande vilã da história.
Contudo, na vida real, essa cena de Bath acontece em qualquer lugar do mundo e de todas as formas possíveis.

Um homem precisa reconhecer quando uma mulher está para lhe dar um último olhar. É como uma fogueira, que quando não é alimentada, acaba se apagando.É clichê, mas é verdade. O olhar de uma mulher nunca se apaga de um dia pro outro. O problema é que, na maioria das vezes, os homens não conseguem perceber isso antes que essa chama se extingua pra sempre.

A coisa não começa de um dia pro outro. Começa nas ligações perdidas, nas mensagens não enviadas, nas cartas não escritas, nas palavras não ditas ou mal-ditas, nos abraços distantes e na conversa sem interesse. Continua nos olhares perdidos, nas ausências sentidas, no desamparo num momento de dor e na traição multiforme.
Termina na dor, no distanciamento de corações e na saudade perene.

Eu sei que aquela conversa no café foi extremamente dolorosa pra ambos, mas o amor não é um jogo de erros e acertos, em que um está sempre vencendo o outro. Quando são necessárias últimas chances, os dois já perderam. É doloroso, mas é a verdade.

Portanto, peço-lhe, caro futuro amor:  Jamais me peça uma última chance. Quando isso for necessário, saiba que já me perdeu. Saiba que cada dia ao meu lado é sua chance de estar comigo e se eu lho a concedi, é porque quero a chance de estar ao seu lado também. No dia em que não a quiser mais, conceda-a a quem possa interessar. Garanto que, por mais que seja pretensioso de minha parte, existirá alguém no mundo disposto e interessado a se arriscar nessa única chance.


Um comentário:

  1. Falou a mais pura verdade! O relacionamento é construido nos detalhes... qndo pequenos gestos, que ao mesmo tempo expressam amor, deixam de ser demosntrados o mais provavél é acontecer o último olhar.

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