quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

"Eslo... o quê?"

Acho que o objetivo do post de hoje é incentivar as pessoas que o leem a sonharem alto.

Eu já falei em outros posts que eu sempre sonhava em conhecer o mundo, mas com "conhecer o mundo" eu nunca quis dizer "os lugares que todo mundo conhece". Eu também já falei das minhas aventuras com o "Onde está Wally?" e aquela coleção de mapas que vinha junto. Se tinha algo que amava fazer, era girar o dedo e apontar pra um lugar e assim viajar pra lá. Não havia Google pra pesquisar imagens, muito menos Google Earth, então o jeito era inventar a paisagem e o idioma de cada país.

Pois bem. Acho que é dentro desse espírito que embarco dia 30 para a Eslováquia.

"-Eslo..o quê? Eslovênia? Ahm? Onde fica isso?"
"-Não... Es-lo-vá-quia. Fica no Leste Europeu."
"-(cara de interrogação)"
"-Perto da Rússia."
"- Ah, tá.. Mas o que (com cara de "what the hell...) você vai fazer lá? Que tipo de pessoa viaja pra Eslováquia?"

E assim foi basicamente o diálogo que tive com a maioria das pessoas que contei sobre a viagem.

Eu sou o tipo de pessoa que vai pra Eslováquia. Também sou o tipo de pessoa que vai pra Londres e pega um trem pra Bath e de Bath vai conhecer Castle Comb, Stonehenge, Avebury, Lacock e vários outros lugares que provavelmente pouca gente conhece e teria vontade de conhecer.

Eu sou assim, desbravadora. Se tivesse nascido na época da expansão marítima, com certeza teria me infiltrado em uma caravela. Eu gosto é do que ninguém viu ainda, gosto de colocar o pé no desconhecido e dar uma olhada com meus próprios olhos. Gosto de ver gente diferente, de sentir lugares que nunca imaginei e de saborear a vida do que eu não imaginava existir.

Pra quem acha que faço isso porque sou rica, já esclareço: Longe de mim o ser. Para outros, que podem achar que é influência de algum familiar ou amigo, adianto: Nenhum dos meus familiares pisou em sequer um centésimo dos lugares que pisei. Abri um caminho que espero que meus irmãos, primos e as próximas gerações da minha família também saibam que podem passar.

Mas vamos a Eslováquia...
"-Hein?";
-ES-LO-VÁ-QUIA.

A primeira vez que me interessei pelo Leste Europeu foi aos 13 anos, quando li "Verônica decide morrer", do Paulo Coelho ( Sim, já li Paulo Coelho. Não me julguem, gente! Eu tinha treze anos!) Quem já leu, sabe que, basicamente, a Verônica do título decide morrer pra que todos saibam da existência de um país chamado Eslovênia. Parece mais uma doideira exotérica do Paulo Coelho, mas até que o livro é interessante e apesar de ser absurdamente clichê, descreve de forma encantadora esse desconhecido país. Lembro que nessa época, procurei em alguns livros ( não tinha Google) sobre a Eslovênia e acabei descobrindo mais sobre o Leste Europeu.

Era um vício meu conhecer os lugares aonde os livros se passavam (por isso, imaginem meu sofrimento ao ler Sidney Sheldon) e acho que ainda é. (Não é à toa que fui pra Bath, fãs de Jane Austen).
Dessa forma, quando alguém falava de Eslovênia, Eslováquia, Lituânia, Estônia etc., não era algo muito desconhecido pra mim.

Resumo da ópera: O tempo passou, eu parei de ler Paulo Coelho, virei comissária, fui demitida e recebi um "acerto". Eu ainda não sabia o que fazer com o dinheiro desse "acerto", por isso o guardei para necessidades futuras. De um jeito meio sem querer, através do site da minha faculdade, cheguei ao site da AIESEC.( Segue a descrição oficial do que é, porque acho meio difícil de explicar: http://www.aiesec.org.br/conheca-a-aiesec/o-que-e/).

Não é uma agência de intercâmbio convencional e a proposta das viagens é causar um impacto positivo no local de destino e desenvolver habilidades variadas. Basicamente, o Programa Cidadão Global, que é o que participo, é um programa de intercâmbios voluntários, em projetos sociais, em diversos países.

Tudo isso soou perfeito pra mim. Queria ir para um lugar diferente, estava recebendo seguro-desemprego, solteira, me sentia adequada ao programa, tinha dinheiro guardado e podia fazer isso nas férias. Foi aquela sensação de "agora ou nunca". Em duas semanas, já havia me reunido com o pessoal de lá e já estava dentro da plataforma da AIESEC (pra quem tiver interesse, explico melhor como funciona).
Comecei a me candidatar para várias vagas, a maioria no Leste Europeu e na América Latina, e rapidamente consegui entrevistas (realizadas pelo Skype). A da vaga pra Eslováquia foi a segunda e eu descobri que estava aprovada no mesmo dia. Não vou descrever todo o processo de confirmação que levou meses, mas no início de novembro houve a troca de documentação e minha viagem foi confirmada.

Meu trabalho lá será basicamente dar aulas de inglês para crianças e realizar workshops sobre o Brasil, do dia 7 de janeiro ao dia 15 de fevereiro.

Minha viagem tem início dia 30 de dezembro de 2012, mas não vou contar tudo. Deixarei pra contar em detalhes à medida que as coisas forem acontecendo.

No mais, peço que lembrem-se de mim em suas orações e que Deus faça sua vontade em terras tão frias e distantes.

Zdravíčko! (Deus te abençoe)





3 comentários:

  1. Amandinha,suas histórias me insperam!!! Você realmente é uma missionária que vai a onde ninguém vai, que aceita os desafios e está disposta a aprender!!!

    Conte comigo e com minhas orações!!! Continue mandando notícias... Beijos

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  2. Que menina mais bonita! Será essa mais uma aventura de ano novo?! Espero que sim.
    Muito legal essa sua iniciativa. Não há nada mais desbravador do que conhecer o "desconhecido". Você com certeza já deve saber, mas muitos que chegaram a cursar arquitetura comigo, torciam o nariz quando era falado sobre os castelos, as projeções da Eslováquia. É rico demais em detalhes.
    Um beijo grande. E tô aqui na torcida por você.

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    1. Marie, muito obrigada! E sim...mais uma aventura! rsrs
      Eu não sabia disso! Achei muito interessante e vou procurar saber sobre o assunto.
      Obrigada pela torcida!
      Beijãozão!

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