quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Diário de Bordo 1 : Praga


(Esse texto foi escrito no dia 07 de Janeiro, no meu caminho pra Bratislava. Só agora lembrei-me de postá-lo! Em breve, contarei mais!)
Eu queria ter escrito há mais tempo, mas só hoje consegui parar pra colocar as coisas no papel.
Estou no trem, a caminho de Bratislava. Na minha janela, uma vista linda com árvores, prédios antigos, túneis e rios vai sendo desenhada, mas infelizmente não posso lhes emprestar meus olhos. Este é mais um filme que será só meu. De qualquer forma, tentarei descrever um pouco sobre o que tem sido este tempo na Europa.

Eu ainda estou com a sensação de não saber exatamente como vim parar aqui. Às vezes, tenho a impressão de que quando a viagem terminar vou acordar de um sonho. Deus sonhou coisas pra mim e fez tudo de maneira tão perfeita, que quando me dei conta, já estava no avião vindo pra cá.

Faz uma semana que estou aqui. Embarquei no dia 30 de dezembro de 2012 para algo completamente inesperado.

Praga foi a primeira cidade que desembarquei.

Ao sair do aeroporto, já pude sentir como seria o clima desses dias- literalmente. Nunca tinha sentido tanto frio e acredito que essa temperatura reflete os ânimos do povo tcheco. É claro que toda regra tem sua exceção, mas não se pode esperar qualquer gentileza ou boa-vontade aqui.
Além disso, também pude sentir como será a experiência dos estrangeiros no Brasil em época de Copa do Mundo. Nenhuma placa em inglês, pouquíssimas pessoas que falam o idioma e ninguém para fornecer informações. Quando existe esse alguém, a boa-vontade é a mesma citada anteriormente.
Mas para que eu não seja preconceituosa, devo dizer que o comportamento dos brasileiros que encontrei quando desembarquei não foi muito diferente. Havia um grupo muito grande de brasileiros desembarcando em Praga pro Ano Novo e não pude encontrar gentileza em qualquer um deles. Estávamos todos perdidos, sem saber como utilizar a bendita máquina de passagem de ônibus e eu pensei que encontraria algum apoio nos meus compatriotas. Doce ilusão.
Primeira regra pra viagens à Europa: Do it for yourself. (Faça você mesmo).

Nesta situação, percebi o quanto ia ter que me virar sozinha durante esse período. Se pretende viajar sozinho algum dia, prepare-se para se virar de todos os jeitos. Ter alguém pra contar, será uma queixa constante do seu coração. Falarei disso mais adiante.

Após algumas voltas feito barata tonta, sempre esbarrando com mais baratas tontas brasileiras, descobri que a moeda tcheca não é o euro e sim “coroas tchecas”. É uma moeda estranha como o peso chileno (ou o nosso antigo cruzado) e que me deixa completamente confusa em relação ao quanto estou gastando. O parâmetro é muito diferente, mas pra resumir, 100 coroas tchecas equivalem a 5 euros.

Peguei o ônibus com destino ao metrô (novamente lotado de brasileiros) e aqui percebi pela primeira vez as heranças do regime soviético. Ônibus sem catracas, sem ninguém para averiguar passagem, nem alguém pra vendê-las. Não agi de má fé, porque me disseram que o motorista vendia os bilhetes, mas como ninguém me pediu nada, acabei indo de graça. Me disseram que caso algum fiscal verifique que alguém não está com o bilhete, deve-se pagar uma  multa de 32 euros. Eu não vi esse fiscal em lugar nenhum e quero muito entender como a coisa funciona aqui, mas o que posso dizer é que andei de metrô, ônibus, tram (algo como um bonde) várias vezes e ninguém me pediu nada. (O metrô também não tem catraca).

Falando em herança do regime soviético, tive uma sensação na cidade que talvez outros também tenham tido. Em alguns momentos, tive a impressão de ainda estar na década de 80. Isso não acontece nos pontos turísticos e nos lugares lotados de turistas, mas quando se observa a cidade fora desses “points”, tudo parece meio antigo. Tudo é simples, básico, padrão e parece não haver muita preocupação estética, mas sim com a funcionalidade. Em um bairro residencial, lembrei-me de Niemeyer (que pra quem não sabe era comunista) e dos prédios residenciais de Brasília. Quem conhece a capital brasileira sabe que os prédios residenciais não tem nada das curvas modernas através das quais ele ficou famoso. Tudo é simples e prático.

Voltando à minha jornada, chegar ao albergue foi mais fácil do que imaginei. Só me arrependo amargamente, a cada hora, por ter trazido tanta coisa. Estou zanzando pra cima e pra baixo com cerca de 32 quilos, sendo 10 deles numa bagagem de mão.
Segunda regra pra viagens à Europa: Faça sua mala. Tire tudo que for desnecessário. Quando achar que tirou tudo, tire mais coisas, porque ainda tá sobrando.
Gostaria de comprar muitas coisas, mas não posso por causa de espaço e peso permitido e além disso, tem sido um desafio carregar tudo sozinha.
Da estação ao albergue, foram cerca de 100 metros e, devido à noite de ano novo, muitos policiais estavam na “Venceslau Square” e me ajudaram a achar o caminho.

Fiquei hospedada no “Hostel Behind”, um albergue coreano, gerenciado pelo “Joe”, um jovem coreano hiper fofo e gentil. Apesar de a entrada ter o corredor compartilhado com uma boate e eu ter duvidado da existência do hostel, não tenho nada a me queixar. O albergue é super limpo, organizado e o preço também é ótimo: 22 euros a diária. E pra quem gosta de comida oriental (o que não é o meu caso) tem sushi no café da manhã. 
No hostel tive a agradável surpresa de conhecer quatro brasileiras lindas e fofas que ficariam no quarto. Elas estão em intercâmbio na Alemanha e vieram para a noite de ano novo. Poder falar português e ter alguém pra comemorar a virada já seria bom demais, mas as meninas deram ainda mais brilho à minha noite: Lu, Sofia, Camila e a outra Lu, muito obrigada pela companhia. Além das brazucas, estavam no quarto três italianas igualmente fofas, duas inglesas, uma japonesa e a Jiyhe, coreana hiper gente-boa que também foi parceira de viagem. Todas nós temos a mesma faixa etária, o que fez o quarto muito fácil de ser compartilhado. No quarto ao nosso lado, um bando de ingleses malucos e barulhentos, com o sotaque carregado e incompreensível de Manchester, tentava chamar nossa atenção, mas não surtindo efeito, não nos incomodaram mais.

Passamos o ano novo perto da Charles Bridge, na avenida que dá acesso ao Castelo.

Paro mais uma vez para uma das minhas divagações. Eu achava que alcoolismo e drogas estavam ligados à fatores sociais, mas o Reveillon em Praga me fez mudar de ideia. Já tinha ouvido dizer que o Leste Europeu tem cheiro de vodka, mas não sabia que isso era tão literal. A coisa é assustadora e chega a dar medo. Quando eu via o vandalismo no carnaval brasileiro, pensava que éramos seres menos evoluídos, mas esse preconceito também caiu por terra. O mesmo acontece aqui e posso dizer que talvez seja até pior.
Não quero que pensem que só tive impressões ruins. Os fogos foram lindos, havia muita gente comemorando a chegada de 2013 com alegria e tudo é realmente legal, mas pra ser muito sincera, prefiro uma atmosfera de festa de ano novo familiar, do que num lugar lindo que as pessoas só querem beber e se drogar. Não entendo a lógica dessa “festa”.
De qualquer forma, pelo fato de estar com as meninas, foi uma virada de ano bacana.

O dia seguinte foi ainda melhor. A cidade estava mais “calma” e pude ver a beleza da “Old Town”. Como as brasileiras já estavam na cidade há mais dias, já tinham conhecido a Charles Bridge e o Castelo, então me juntei a Jiyhe e fomos para o principal ponto turístico da cidade.
O frio não conseguiu apagar nem um pouco a nossa empolgação. Praga é uma cidade muito bem preservada e eu me senti dentro de um livro de História ( minha sensação preferida). A Charles Bridge é a ponte que dá acesso ao Castelo de Praga e estava absolutamente lotada. Vários artesãos expõem trabalhos lindos na ponte, como retratos feitos na hora e outros quadros. Cada escultura da ponte tem uma história, mas eu não sabia disso. A Jiyhe me ajudou contando algumas. A vista dessa ponte é algo deslumbrante e por ser inverno aqui, o dia tem a aparência de nascer ou pôr-do-sol.

Na subida para o castelo há vários restaurantes e lojas baratas de souvenirs. Parei para comprar uma boina em uma delas e um senhor russo extremamente gentil me disse: “One hat for this beautiful brazilian senhorita”. Eu não faço a menor ideia de como ele descobriu que eu era brasileira, mas uma fala tão gentil me surpreendeu. Pena que já perdi minha boina na Holanda.
Não vou descrever o Castelo e o o restante do passeio. É tudo deslumbrante, lindo, antigo e emocionante como todo mundo descreve.
           
O que posso dizer, é que sou muita grata a Deus por ter me dado esse imenso privilégio de conhecer a cidade.

Tenho muita coisa pra contar sobre essa viagem e o segundo capítulo se chama “Holanda”. São páginas ainda mais coloridas e maravilhosas.
Fica pra outro dia, porque tenho que descer na próxima estação.

Um beijo a todos e “keep praying”.






Um comentário:

  1. Ai Amandinha, dá pra viajar no seu relato... um dia se fizer um livro sobre suas viagens serei a primeira a comprar!!!

    Aproveite bem e que Jesus a abençoe!!! Beijosss

    saudade

    ResponderExcluir