domingo, 13 de janeiro de 2013

Diário de Bordo - Holanda

É uma tarefa muito difícil pra mim escrever sobre os dias na Holanda. Primeiro, porque eu acho que nunca vou conseguir expressar com palavras a minha gratidão pelo tempo que tive nesse país lindo e, segundo, porque eu tenho certeza que vou me emocionar muito escrevendo este texto. Isso porque na Holanda tive que me despedir da Linda, uma querida amiga que foi um presente de Deus no último ano.

Foi no natal que eu tomei a decisão de visitá-la em sua terra natal. Ela me ajudou a comprar a passagem num site holandês e eu decidi que valeria a pena investir dinheiro nisso.

E como valeu!

A jornada foi mais tranquila do que eu imaginei. Apesar de estar com os já citados 32 quilos de bagagem e do frio congelante de Praga, eu já era quase uma profissional no esquisito transporte público de lá.

Embarquei pela Easy Jet e dessa vez pude sentir o Europa way of fly. Sem portão de embarque no cartão, todo mundo atento aos painéis e meia hora antes do voo: o estouro da boiada. Quando o portão de embarque aparece no painel, parece o início de uma maratona.
No portão, mais uma surpresa: um medidor de bagagem de mão. Não coube? Porão. O medidor é uma simples caixa metálica em que cada um coloca a bagagem pra ver se está dentro do padrão. Fico me perguntando porque o Brasil não imita esse avanço tão simples.
De qualquer forma, o voo foi super tranquilo, com serviço de venda a bordo (é óbvio que aqui ninguém reclama) e um casal de gregos simpaticíssimos que sentou-se ao meu lado. Fomos conversando e comendo chocolate até Amsterdã. Fiquei sabendo um monte de coisas à respeito da Grécia e a moça, que é apaixonada pelo Brasil, também me fez um monte de perguntas. Nenhum cansaço teve efeito.

O desembarque foi algo muito especial pra mim. Eu estou mais que acostumada a desembarcar sem ter alguém me esperando. Quando era comissária, sempre sentia uma invejinha do pessoal que saía e tinha gente esperando do lado de fora. Pra quem já voou tanto quanto eu voei, ter alguém no portão de desembarque é algo mais que especial. Quando isso acontece na Europa, em Amsterdã, o "especial" dobra.
Fui recebida com muito carinho pela Linda, o irmão dela, Rubem e sua mãe, Jackeline (Linda, se estiverem lendo, me desculpem se tiver escrito os nomes errados!).
Algo engraçado foi ver a Linda de cachecol e casaco de frio. Na última vez que a gente se viu, estávamos com a menor quantidade possível de roupas, dizendo : "Vou derreter... Que calor!.."

A Holanda é um país minúsculo perto do Brasil, então diferentes cidades têm a mesma distância de um bairro pra nós. A Linda não mora na mesma cidade que a mãe dela, mas é a mesma distância da casa da minha mãe pra casa do meu pai no Brasil.

No carro, o primeiro maravilhoso choque cultural. Dessa vez, não era a Linda que não entendia nada, mas eu. Percebi como ela se sentiu nos três meses no Brasil e fui me divertindo tentando entender a complicada pronúncia do holandês. Em nenhum momento me senti excluída, porque (mais um abismo entre o Brasil e Europa) aqui praticamente todo mundo tem uma noção de inglês. Todo mundo tentava conversar o máximo possível no idioma, ao contrário do que a Linda viveu no Brasil, em que a gente não tem aulas decentes na escola. Além disso, quando falavam em holandês, a Linda traduzia pra mim, o que me fez estar incluída o tempo todo.

Isso foi só mais uma das coisas que essa família maravilhosa fez por mim. Eu não tenho palavras pra demonstrar o amor e carinho com os quais fui recebida. A Jackeline é uma das pessoas mais amorosas que eu já conheci e toda a família me recebeu com um coração mais que receptivo.
Eu posso falar aqui sobre toda a beleza do país, de Amsterdã e etc, mas isso tudo não se compara à minha gratidão por essa família. Eles são a Holanda pra mim e sempre vão ser a primeira coisa que virá a minha mente quando eu ouvir falar sobre o país.

Foram quatro dias inesquecíveis, visitando pequenas e lindas cidades ao redor de Oldebroek, tomando chocolate quente e comendo muita coisa boa. A paz e a tranquilidade desses lugares foi o que mais me chamou a atenção. Tudo parece atemporal, com prédios e casas antigos, mas cheios de vida. A Holanda é o lugar dos sonhos de qualquer brasileiro, que vive cercado de insegurança.

As ciclovias são tudo o que a gente escuta a respeito. Com trânsito e regras de circulação próprias, as bicicletas estão por todos os lugares e os "estacionamentos" estão sempre lotados. Vê-se muitas crianças acompanhado os pais e aprendendo desde cedo a transitar sobre bicicletas. A topografia da Holanda favorece, obviamente, porque não se vê uma elevação de terreno em qualquer lugar, mas me pergunto se o nível de civilidade no trânsito não é maior por aqui.

Ainda no "interior", fui assistir "Life of Pi" (não sei o título em português) e me surpreendi com o fato de ser capaz de assistir um filme inteiramente sem legendas. Nesse dia também conheci a Laura, a amiga linda e doce da Linda.  Mais uma vez, aquele sentimento de "odeio distâncias" bateu forte, porque vi que seria maravilhoso ter amigas assim por perto. É incrível o fato de sermos de mundo tão diferentes, mas ao mesmo tempo tão parecidas. (E ao escrever isso, odeio mais ainda o fato de não poder conviver de perto com elas.) Outro ponto legal da viagem, foi uma exposição de esculturas de gelo dos Contos de Grimm. Apesar da temperatura congelante dentro do espaço (nada que um chocolate quente depois não resolvesse) foi sensacional! - fotos no meu Facebook.

A ida pra Amsterdã aconteceu no sábado e foi igualmente especial, a começar pela travessia de balsa. Postarei um vídeo em breve com cenas desses capítulos!
A cidade é tudo aquilo que você já ouviu falar e bem diferente do interior da Holanda, mas, com certeza, uma das cidades mais lindas do mundo.

Nossa primeira parada foi um dos lugares mais emocionantes que já visitei na minha vida: a casa onde Anne Frank estava escondida quando escreveu seu famoso "Diário". Uma fila enorme de pessoas de todo mundo aguardava pra entrar e posso dizer que vale muito a pena. Quem já leu, pode entender minha emoção e compartilhar dela, porque esse foi o livro que me fez amar estudar História, em especial o que se refere à Segunda Guerra. Foi um livro que marcou minha adolescência e com certeza de muitos outros.
Não é permitido tirar fotos lá dentro, mas garanto: é uma experiência e tanto!

Depois do museu, fomos fazer compras numa rua perto do "Dam", o principal ponto turístico de Amsterdã. Pessoas hiper estilosas, gente de todo o mundo e muita gente bonita concentrada no mesmo lugar. É mais ou menos assim que posso definir este lugar.
Respondendo à pergunta que provavelmente não quer calar em sua mente, sim, sente-se cheiro de maconha em vários lugares e nas lojas de souvenirs a maioria das lembrancinhas tem o desenho do cigarrin´do capeta. Isso é algo que pode-se notar em qualquer lugar de Amsterdã, mas não acredito que seja algo que represente a Holanda. A maioria das pessoas que fuma na rua é turista retardado que parece ter ouvido falar de maconha pela primeira vez na vida. Além disso, isso definitivamente é algo característico de Amsterdã, porque não vi nada em outras cidades.

O retorno pra casa da Linda foi de certa forma lindo e melancólico. Lindo, porque a cidade fica muito bonita à noite e melancólico, porque eu sabia que o outro dia era dia de despedida.

No domingo, acordamos tarde e fomos pra casa dos pais da Linda, na qual existe a bela tradição de reunir a família pra ouvir música, tomar chá ou café e comer biscoitos e chocolates depois do culto dominical.
Na cozinha, depois do café, eu, a Linda e a Jackeline conversamos sobre a vida, sobre as coisas de Deus, sobre os planos dEle, sobre o futuro e sobre fé. Mais uma coisa que não consigo descrever. Tenho certeza que esse foi e será um dos momentos mais marcantes dessa viagem. Terminamos com a Jackeline orando por mim, a Linda traduzindo e eu e a mãe dela em lágrimas. Nesse momento, só pude engrandecer a Deus por esse amor maravilhoso que Ele tem por mim, aliás, isso foi uma das coisas que mais fiz nessa viagem.

Me faltam espaço e tempo para escrever sobre tudo que vivi na Holanda.
Foram dias lindos, cheios do amor de Deus, de comunhão e de amizade.

Não preciso nem dizer o quanto já sinto e sentirei falta da Linda. Tais fatos já foram expressos no Facebook, mas posso dizer que nossa amizade foi algo que Deus planejou lá no céu. Conhecer a família e a vida dela mais de perto foi algo igualmente vindo do nosso maravilhoso Criador.

Serei grata eternamente por esses dias e, como já disse anteriormente, aguardo ansiosamente o dia em que estaremos todos juntos, falando a mesma língua, no mesmo lugar, ao lado dAquele que nos uniu!

Dank u wel, God!





















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