quinta-feira, 28 de março de 2013

Porque eu escrevo

Eu estava saindo do museu dedicado à Anne Frank, no esconderijo onde ela escreveu seu “Diário”, em Amsterdã, quando um último vídeo me chamou a atenção. Era o pai de Anne, Otto Frank, dizendo o que pensava sobre o diário da filha. Eu não me lembro exatamente de suas palavras, mas era algo mais ou menos assim: “Eu jamais imaginei o que estava escrito naquele diário. A Anne que eu conheci e convivi e a Anne daquelas páginas são duas pessoas muito diferentes. Acho que, no fundo, os pais não conhecem seus filhos”.

Pra quem não conhece a história, a família de Anne Frank era judia e durante a Segunda Guerra Mundial ficou escondida na parte superior da antiga fábrica de Otto, em Amsterdã. Ficaram neste esconderijo por dois anos, com mais alguns amigos judeus. Foi nesse período que Anne escreveu seu famoso "Diário".


Enquanto eu esperava em uma fila enorme com pessoas de todo o mundo para entrar, ainda antes de ouvir as palavras de Otto, eu me surpreendia com o poder das palavras em um papel. Não foi à toa que algum ministro daquela época pediu no rádio, a quem possuísse diários ou relatos da guerra, que os guardassem para fazerem parte da memória do país posteriormente. Anne ouviu essas palavras e isso a incentivou ainda mais a escrever. Infelizmente, ela não chegou a ver seu diário publicado e se tornar um fenômeno mundial, que até hoje toca milhares de pessoas, em todos os idiomas possíveis.

Ainda hoje, existem tempos sérios demais para se falar certas coisas. E também, certas coisas faladas não são ouvidas com a intensidade necessária. O ouvido se distrai com o barulho dos carros, com a música no rádio, com o toque de mensagem no celular. Ou, em outras vezes, há tantas vozes falando dentro da cabeça e do coração, que fica impossível ouvir o outro e... puf! Lá se foi a emoção necessária para um momento que jamais vai voltar. "O que você disse?". Nada não, deixa pra lá... Só uma bobeira minha.

Por isso eu escrevo.
Escrevo, porque preciso escrever.
Escrevo, porque sei que sou uma completa estranha para aqueles que me cercam, ainda que eles acreditem me conhecer muito bem.

Eu acho que, no fundo, ninguém pode ser conhecido tão bem, até ser colocado no papel. Eu já cheguei a pensar que, algumas vezes, a escrita possa limitar nossa compreensão das coisas. Hoje, penso diferente. Acho que é escrevendo que a gente se conhece melhor. É dando nomes, verbos, preposições à nossa vida, que a gente vê como ela realmente é.

Se eu encontro alguém que entende o que eu escrevo, isso se torna ainda mais fantástico, porque eu descubro que tem gente com as mesmas coisas que eu dentro de si. 

Eu não sei o limite das palavras, especialmente neste mundo digitalizado. Sei que ainda me falta muito para manuseá-las com perfeição. Somente Um o fez até hoje e é , muitas vezes, inspirada na forma como Ele escreve essa História, que eu escrevo.
Escrevo porque amo as palavras, especialmente o poder existente nelas.





4 comentários:

  1. Muito obrigada, Monique!
    Que bom que voltou a escrever no seu blog! Gosto demais do seu jeito de escrever!
    Fora que blogueira com cabeça aberta e cristã são poucas, né...
    Fique na Paz!
    Beijão!

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  2. Gostaria de dizer que amei esse seu texto, muito mesmo, porque tambem escrevo e sinto e penso exatamente a mesma coisa que voce diz tão bem. Obrigada por esse texto. Eu o compartilhei no meu facebook, colocando o link dele lá, espero que não se importe. Ah, e também amo a Anne, somos amigas rs Abraço amigo, Gisele De Mare

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    1. Gisele, acho que a maior alegria de quem escreve é saber que seus sentimentos são compartilhados por outras pessoas.
      Fiquei muitíssimo feliz por saber que você gostou!
      Não tem problema nenhum, pode compartilhar quando quiser. E essa Annne, nossa amiga, mesmo tão novinha, sabia das coisas...rsrs
      Grande abraço e se tiver blog, me mande o link, por favor!

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