sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Saindo do armário

Hoje meu irmão e minha prima estava brincando e me fizeram lembrar de algo que eu sempre fazia quando criança, mas nem me lembrava mais: me esconder dentro do guarda-roupa.

Eu não sei se era o silêncio, a quietude, a maciez dos edredons e das roupas embaixo de mim (coitada da minha vó), se era porque eu me sentia num esconderijo secreto ali, ou se era apenas uma síndrome de Lucy Pavensie (http://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%BAcia_Pevensie). Só sei que volta e meia, lá estava eu fechada dentro do guarda-roupa.

Durante muito tempo, havia uma fitinha no parafuso que prendia a maçaneta na porta, que era o que eu usava pra me fechar lá. (Claustrofóbica eu realmente não sou) . Eu não faço ideia de quanto tempo eu passava ali. Acho que era até alguém me chamar e eu ter que abrir a porta pra dizer: "Tô iiiindo".

Essa lembrança hoje caiu como uma luva pra algo que eu queria escrever, mas não sabia como.

Coincidentemente, quando comecei a escrever este texto, uma amiga me enviou uma mensagem, me dizendo que eu tenho andado caladinha.Quem me conhece, sabe que se tem uma coisa que eu não costumo ser, é calada. Já falei em outro post que sempre tenho algo a dizer e por isso às vezes falo demais.

O guarda-roupa já foi embora e, ainda que fosse o mesmo, eu já não caberia mais nele, mas tenho andado com muita vontade de me fechar em um lugar quente, seguro e onde ninguém possa me achar.


Acredito que fases assim aconteçam na vida de todo mundo, nós é que decidimos o que vamos fazer com elas.

Eu, particularmente, gosto de me lembrar nesses momentos de quem eu sou e para isso leio coisas que escrevi e fotos antigas. Me releio e vejo imagens de momentos que vivi há muito ou a pouco tempo e me surpreendo com o quanto já estou diferente do que fui.

Eu estou numa fase nebulosa, sem saber exatamente o meu lugar, e lugares seguros como o guarda-roupa parecem pra mim a melhor solução. Mas a fase de se esconder já passou e não há mais tempo a perder.

Mesmo que pareça difícil, temos que retomar as rédeas da nossa vida e tocar adiante. Viver é muito bom e uma vida bem vivida traz ótimas lembranças, mas se a gente fica preso ao passado, acaba não valorizando o que o presente tem de bom e não o encarando com todas as nuances necessárias.

Pra que as coisas mudem, é necessário que a gente mude.
Não adianta trocar as hastes dos óculos, sem mudar as lentes. Se com o tempo, esses óculos não nos permitem enxergar, podemos até conseguir ganhar uma aparência mais bonita, mas eles não serão funcionais.

Estou levantando da cadeira, abrindo as janelas trancadas, retirando a poeira de debaixo do tapete.

Ao mesmo tempo, estou jogando fora aquilo que já não me serve mais, renovando o meu interior e deixando a luz entrar.

Só assim dá pra viver leve.










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