segunda-feira, 21 de abril de 2014

Sobre finais e soberania nas histórias

Hoje fui assistir a um filme com meu irmão que era uma espécie de romance de aventura com ficção científica. Um filme incrível, que prendeu minha atenção do início ao fim, daqueles filmes que a gente não quer que acabe nunca.
O filme acabou, mas eu sabia que existiria uma continuação, porque já tinha visto os livros da série em uma livraria. Ao sair do cinema, não perdi tempo: Corri para a livraria do shopping para encontrar os livros . Só que acabei cometendo um erro terrível: Fui direto para as últimas páginas do último livro.

Pronto. Acabou a magia, acabou o êxtase e o encantamento vivido segundos antes.
Esqueci tudo aquilo que acabara de assistir e todas as expectativas criadas pelo futuro da história.

"Por quê?! Por que esta autora fez isso?! Malditos escritores!
Pois eu não aceito esse final! No meu final, ela viverá feliz para sempre com o mocinho. Por que esses escritores idiotas têm sempre que matar o personagem que mais gosto?! Maldito Shakeaspeare! Malditos críticos literários! Por que, meu Deus?! Por que?!".

Pode parecer exagerado, mas esses foram meus pensamentos enquanto fitava o livro fechado em minhas mãos, completamente petrificada pelo que acabara de ler.

Desisti de comprar o livro.
Que importava o que aconteceria na história, se no final quem eu mais gostava morria?

"Dane-se o enredo, dane-se o contexto, dane-se a mensagem que a autora queria passar. Aquela vaca matou quem mais importava na história".

Após esse ataque de fúria, parei para refletir um pouco: "Será que a autora foi a responsável pela quebra do encantamento ou a minha pressa de não saber acompanhar o ritmo natural da história que estragou tudo? Será que se eu não soubesse o final durante o decurso da história, ela não seria mais interessante?";
Agora acabou. Já sei que o final não é feliz, ou, pelo menos, não me deixa feliz.

Talvez seja estranho, mas toda essa tragédia me fez pensar na soberania de Deus.

"E no Teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nenhum deles havia ainda". ( Salmos 139:16)

Deus é o maior escritor de todos os tempos. Desde a eternidade, Ele vem escrevendo histórias, Ele é o Grande Autor da História.
Não quero neste texto tentar desvendar o porquê de certas coisas terem acontecido com a humanidade ao longo dos séculos, mas talvez a resposta seja simples.

Quando eu era adolescente e comecei a descobrir minha paixão por escrever, desenvolvi um hábito: toda vez que eu não gostava do que o autor tinha escrito, reinventava o final. Na minha mente, eu podia modificar a história. se fizesse dela o que quisesse. Aquilo funcionava por alguns dias, até eu me dar conta de que o autor continuava soberano. Eu podia tentar mudar, mas a história era dele. Nada do que eu fizesse mudaria o final.
Será que não tem sido assim ao longo da História da humanidade?! Pode soar pragmático, mas não é tão aterrorizante quanto parece. Um Autor soberano criou uma história perfeita, mas nós, humanos, decidimos mudar o enredo e Ele então teve que acertá-la para a Sua vontade. Nós tentamos tomar a caneta das mãos do Autor, mas não importa o que façamos, Ele sempre será soberano.

Deus está muito interessado em nos apresentar o que escreveu para nós, principalmente o final dessa história. Ele sim soube criar um verdadeiro final feliz. Roteristas de Hollywood, escritores best-sellers, autores de novelas da Globo... Nenhum deles chegou perto do maravilhoso final escrito por Yahweh.

Ele sabe que o final é o que mais importa. Ele sabe que muitas vezes uma história linda terminada em tragédia se torna uma história triste. Ele sabe que não importa o quão incríveis tenham sido as páginas de um livro, julgaremos todo o seu conteúdo pelas últimas palavras escritas. Ele sabe que todo o resto não fará sentido, dependendo do final.

O Verbo também sabe o porquê de não podermos ver nosso final antes que ele chegue. Ele sabe o quanto isso nos impediria de aproveitar a jornada e o quanto nosso entendimento é limitado. Ao contrário do que os críticos literários costumam dizer, a morte pra Ele não é a maneira de tornar um personagem memorável. Ele morreu por todos os outros personagens, mas o final foi o mais incrível de todos os tempos: Ele ressuscitou ao terceiro dia.

E um dia, Ele virá em glória.
Ele virá e o que hoje vemos como que "em um espelho", veremos "face a face" (I Cor 13);

Nas últimas páginas que este Autor inspirou um homem a escrever, está escrito:

"Ele enxugará de seus olhos toda lágrima . Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou". (Apocalipse 21:4)

E o que vem a seguir é incrível demais para que nossa mente possa alcançar.

Nossas histórias na Terra sempre serão susceptíveis a finais tristes, mas se a gente sabe Quem está no controle dessa História, tudo fica mais fácil e mais leve.

Posso não gostar de todos os finais, de todas as melhores histórias da Terra.

Eu sei: Um dia haverá o verdadeiro "e viveram felizes para sempre".

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