terça-feira, 3 de junho de 2014

Amor de Redenção

Este é um daqueles textos que sei que não terei dificuldade nenhuma para escrever...

Li um livro que mudou minha vida. Um livro que me tomou várias horas, que me fez ficar lendo ao invés de trabalhar, que me fez dormir menos do que poderia e que fez eu me ausentar por várias horas de redes sociais.
Me desculpem C.S. Lewis, Jane Austen e tantos outros, mas foi o livro mais lindo que já li.
O nome do livro é "Amor de Redenção", de Francine Rivers.
A história é baseada no livro bíblico de Oseias.
Pra quem não conhece a história deste homem: Deus pediu a Oseias que se casasse com uma prostituta e jamais desistisse dela enquanto vivesse. Ele amou essa mulher e mesmo quando ela lhe traiu e virou as costas várias vezes, ele não desistiu dela. Você pode estar pensando: "Nossa! Que Deus bondoso pediria isso a um homem?". Deus fez isso isso justamente para demonstrar como amava o seu povo e para revelar que apesar de todas as traições de Israel, Ele continuava os amando. Essa história fala sobre o amor de Deus e não do amor humano.
Pode parecer um enredo surreal, mas enquanto lia cada página desse livro, tinha a impressão de que não poderia ser uma mulher que o havia escrito. Cada página parecia tão inspirada por Deus, cada personagem tão verdadeiro, que eu me senti parte da história. (Talvez porque conhecesse vários sentimentos descritos ali).
Mas por que um simples romance mudaria minha vida?
Porque esse romance não fala simplesmente do amor entre um homem e uma mulher, mas sim sobre um amor incondicional, imutável, que existe desde antes da fundação do mundo. Um amor completo, verdadeiro, o único capaz de preencher todo vazio, e eu fui invadida por esse amor ao ler este livro.
Talvez você se pergunte: "Mas você não é cristã? Deveria sentir isso lendo a Bíblia". Sim, eu também sinto isso lendo a bíblia algumas vezes. O problema é que com o tempo de caminhada na igreja, algumas frases começam a se tornar clichês e fazem tão parte do nosso cotidiano quanto um "bom dia". Alguns versículos poderosos, cheios de significado e de alcance maior do que nossa mente pode alcançar, como aquele que diz que "Deus amou o mundo de tal maneira, que entregou o Seu Filho unigênito para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (João 3:16) tornam-se mantras pros nossos ouvidos. Utilizamo-os em evangelismos, para falar do amor de Deus para os "perdidos", mas nós mesmos perdemos seu significado.

Eu, mais uma vez, me senti abraçada por Deus. Me senti protegida, amada, aceita. Lembrei-me de que não preciso de mais nada, porque já tenho o Seu amor. Um amor tão puro, que mesmo quando eu fujo, não me abandona, não deixa de existir. Um amor que não importa onde eu vá, "se eu subir ao céus, lá está, se eu fizer no inferno a minha cama, eis que estará ali também" (Salmos 139).
Eu não preciso entrar nessa busca doentia do nosso século por aceitação e aprovação. Ele me aceita...Como sou e como estou. E "graças a Deus por Jesus Cristo", porque essa aceitação não vem de mim, de algo que eu fiz ou deixei de fazer, mas dEle mesmo, porque Ele quis me amar e me aceitar primeiro .
"Vede quão grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus" (I João 3).
Reencontrei o amor da minha vida, "o qual entregou a si mesmo como resgate por todos".
Ele me lembrou coisas que eu não pensava mais.
Me perdoou e me ajudou a perdoar.
Me mostrou a diferença entre ser a obsessão de alguém e ser amada.
Deus curou feridas que eu não sabia que existiam e outras que eu achava que já haviam cicatrizado.
Restaurou minha fé em um "futuro certo, cheio de esperança e paz".

Deus também me confrontou com todo o ódio e juízo que estavam em meu coração. Me lembrou que "me tirou de um poço de destruição, de um atoleiro de lama; pôs os meus pés sobre uma rocha e firmou-me num local seguro" (Salmos 40). Isso me desautoriza a julgar ou odiar qualquer pessoa, mesmo aquelas que me fizeram muito mal.

Deus me fez sonhar de novo com o casamento.
Seja o da "grande festa" que vai acontecer um dia, seja o do amor entre um homem e uma mulher.
Lembrei dos meus sonhos de criança e adolescência, e de como alguns deles ficaram pra trás ou foram despedaçados no caminho.
Lembrei do meu "primeiro amor" por Jesus e de como o via o casamento naquela época. Casamento pra mim era a coisa mais sagrada e linda que poderia existir! Acreditava que todos os homens que se dizem cristãos agiriam (ou pelo menos procurariam agir) como Jesus e que não seria difícil encontrar os atributos de Cristo em homens da igreja. Isso também ficou pra trás.
Passei a acreditar em várias mentiras, contadas dentro e fora da igreja e acabei perdendo a essência e repassando frustrações para o Grande Amor da minha vida.
Esqueci daquele que estava sempre ao meu lado, daquele que me atraiu com "cordas de amor" (Oseias 11).
Como naquela esquete da música "Everything" do Lifehouse, deixei de ouvir as promessas e palavras de Jesus, para dar ouvidos a seres falhos e incapazes.
No fundo, fingia acreditar no amor, mas acreditava que qualquer romance não passava de um castelo de areia, que em breve ruiria e deixaria muitos estragos.
Eu, hoje, ousadamente, decidi acreditar de novo que haverá aquele que dirá: "É ela!". Aquele que esperará e lutará por mim. Não numa espera passiva, inerte e sem sentido, mas alguém com o coração verdadeiramente apaixonado por Jesus e pela grande Missão que Ele nos deixou.
Meu coração continuará escondido no Único verdadeiramente merecedor de obtê-lo.
Aguardarei com paciência que Ele me diga quem deverá conquistá-lo.

Hoje, o medo, a frustração, a culpa, a insegurança, os julgamentos, o ódio, a autocomiseração, deram lugar à paz, à ternura, ao afeto, ao perdão, à compreensão, à Redenção do amor de Jesus Cristo.

Que não sejamos pra sempre como a esposa de Oseias, que foge e rejeita o amor de seu Amado.
Que aprendamos a amar e não a julgar quem ainda age como ela.
Amém.








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