sexta-feira, 27 de junho de 2014

Conversas em um trem no Leste Europeu

Dedico esse texto aos meus amigos que me inspiraram a escrevê-lo: Thamara Pereira e Bruno Wagner. Vocês talvez nem se lembrem desse dia, mas essa lembrança hoje aqueceu meu coração. Espero que Deus os abençoe em cada caminho e passo que vocês derem. Continuem vencendo as circunstâncias! Lembrem-se de como valeu a pena!... Abraços, cheios de saudade!

"Estávamos no trem, voltando de Budapeste para Bratislava. Tudo parecia um verdadeiro cenário de filme. Do lado de fora, as montanhas geladas e as árvores secas, típicas na paisagem do Leste Europeu, pareciam uma bela pintura. De vez em quando, era possível avistar lagos, vilarejos e ruínas de castelos. Um cheiro de café, misturado a um cheiro parecido ao de canela, espalhava-se por todo o vagão, trazendo uma deliciosa sensação de conforto. Amigos de outras nacionalidades dormiam, enquanto não resistíamos a tentação de conversar em português.
Eu, Bruno e Thamara, conversávamos sobre nossa trajetória, nossas lutas, nossos sonhos, nossos medos e todo o caminho que tivemos que percorrer para estar ali naquele trem. Em meu preconceito, acreditava que intercâmbio era uma coisa da classe elitizada e me sentia a única exceção à regra. Achava que só eu estava ali por um impulso mais forte do que as circunstâncias que a vida me impôs. Que maravilhoso engano!
Nós três tínhamos enfrentado árduas batalhas e vencido várias imposições que os jovens sonhadores menos abastados no Brasil têm de enfrentar. Tínhamos e temos algo em comum: Não nos conformamos com aquilo que acreditam que devemos ser. Sonhamos alto e corremos atrás pra concretizar esses sonhos. Não esperamos a vida nos dar condições apropriadas pra isso.
Foi uma das conversas mais profundas da minha vida. Prometi a esses dois amigos que ainda escreveria sobre ela.
Mais de um ano se passou e só hoje pude cumprir minha promessa.
Lembrei disso tudo agora, porque estava revendo algumas fotos e me peguei surpreendida pela minha própria história. Às vezes não acredito que fui eu quem viveu tudo o que vivi. Prestes a completar 22 anos, já vivi coisas que jamais sonharia viver cinco anos atrás.
Essa conversa também me veio a memória, porque um dia o Bruno me disse: "Você ainda vai escrever um livro chamado 'O Diário de uma Sonhadora' e vai contar todas essas histórias". Estou começando a acreditar que talvez eu tenha realmente algo a dizer para as pessoas. Talvez não seja algo incrível , que vá mudar a vida de alguém para sempre, mas pelo menos que seja algo que as incentive a sair da zona de conforto e a sonhar alto.
Sonhos grandes só se realizam se a gente sonhar grande. Parece óbvio, mas não é tão simples como parece. A maioria das pessoas diz querer ter histórias incríveis pra contar, mas não fazem o menor esforço para que isso aconteça.
Histórias incríveis exigem escolhas ousadas, caminhos diferentes dos que todo mundo segue e renúncias que talvez nem todos entendam.
Histórias incríveis exigem pessoas que não se conformam com sua realidade e que não se fazem de vítimas das circunstâncias.
Três brasileiros se encontraram em uma cidade desconhecida do Leste Europeu para que eu chegasse a todas essas conclusões. Isso não pode ser coincidência.
Talvez eu deva começar a compartilhar o que aprendi com outras pessoas."

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