sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Viciados em Facebook- O experimento

Comecei um experimento libertador há alguns dias e após esse negócio de "mistério do vestido", decidi compartilhar pra ver se, quem sabe, possa ser útil pra outras pessoas. Só agora à tarde fiquei sabendo dessa polêmica que parece ter sido maior que o escândalo da Petrobrás. Não entrei no Facebook ontem depois das 18h e olhei rapidinho hoje de manhã. Vi o post de uma amiga agora e não fazia ideia de que algo tão bobinho tivesse "quebrado a internet" nas poucas horas que fiquei offline. 

É o que acontece quando a gente passa mais tempo longe disso aqui. Só depois desse experimento é que me dei conta de que passava O DIA INTEIRO no Facebook. Sabia de tudo o que estava acontecendo e todos os assuntos do dia e hoje não sei mais. Sabe como me sinto? Liberta. Ontem , quando me deitei , parecia que meu cérebro estava menos cansado, com pensamentos mais organizados. É por isso que decidi compartilhar meu revolucionário experimento.
Se você tem uma relação saudável com redes sociais, meu amigo, meus sinceros parabéns. Eu e elas temos uma relação péssima  e extremamente conturbada (vide quantas vezes já deletei meu Facebook). Nos últimos tempos, essa relação entrou numa crise insustentável, mas hoje não posso me desfazer dele. Tenho centenas de amigos que moram longe e esta é minha principal fonte de contato com eles. Além disso, é uma ferramenta poderosíssima de comunicação e facilita nosso acesso a pessoas e eventos importantes.
 
VIDA é o que acontece quando você está olhando seu smart phone.




"Não era ele, era eu", foi a desculpa clássica que usei pra resolver nosso relacionamento. 

Se você estava igual a mim, provavelmente nem chegou a ler essa linha, porque achou o texto "grande demais". É assim que nossa geração está: rasa, superficial e com incapacidade de se aprofundar e se concentrar. Não sou eu quem estou dizendo, são os cientistas, médicos e psicólogos.
Como falei, admiro pessoas que conseguem gerenciar isso, mas percebi que pra mim não tinha jeito.

E assim começou minha saga. Comecei a ler diversos artigos que falavam sobre os danos que esse excesso de informação tem causado e a baixa produtividade que isso provoca. Comecei a me ver exatamente como os cientistas falavam. Me pegava olhando pro celular em diversos momentos em que poderia estar olhando outras coisas. Passei a observar as pessoas ao redor e me vi igual a elas: uma zumbi. Fui ao cinema com uma amiga outro dia e a mulher da nossa frente passou o filme INTEIRO olhando pro celular. Cara, se uma tela de cinema não chama mais sua atenção do que uma tela de celular, tem alguma coisa errada. Entrei em pânico. A situação era tão séria, que mesmo em pânico, eu não conseguia mudar meu comportamento e isso fez esse pavor aumentar mais ainda. 

Dizem que o primeiro passo pra mudar um vício é admitir que o temos. Como essas redes sociais são uma invenção muito recente, as patologias decorrentes desse vício ainda são pouco comentadas, mas acredito que sem muita demora, seja criado um grupo de apoio a pessoas com essa dificuldade (se é que já não existe). Eu parei de inventar desculpas e me admiti uma viciada. Comecei a pensar em medidas práticas que me ajudassem a mudar isso. Parar de mexer? Não adiantava. Meus dedos abriam o Facebook mais rapidamente que o meu discernimento. Quando me dava conta, já estava "zapeando" minha timeline. Deletar de novo? Eu já sabia que não dava certo e seria ir para outro extremo. Definir um tempo de utilização? Piorou. Sempre existia mais um artigo ou post interessante pra ver. Até que pensei em usar um celular mais simples, que não me desse a facilidade de abrir o Facebook toda hora. Essa alternativa não me pareceu sustentável, porque tenho muitos aplicativos úteis, que vão além dos meus vícios. Foi então que me dei conta: a maior parte do meu tempo dedicada ao Facebook é no celular. Ter o celular à mão a cada momento de distração, facilita o acesso às redes sociais. 

Decidi tomar uma decisão extremamente simples, em forma de voto a Deus, que tem mudado minha rotina nesses primeiros dias: Não acesso mais o Facebook pelo celular. Isso mesmo, simples assim. Só entro no Facebook quando estou no computador e isso diminuiu consideravelmente o tempo que passo online. Eu tomei essa decisão em forma de voto, porque dedicando isso a Alguém maior do que eu, eu consigo cumprir. Além disso, o principal motivo pra eu ter tomado essa decisão, é o sincero desejo de dedicar mais tempo a minha vida espiritual. Tem gente que chama de "promessa" ou "penitência" (coisa que eu, presbiteriana, não acredito). Já eu, encaro apenas como uma decisão benéfica pra mim mesma. Parece doideira, mas tá funcionando.

Outra coisa que fiz foi mudar o papel de parede do meu celular. Troquei a foto do meu amor (sorry, baby! Ainda te amo muito!) por uma que me lembrasse de não desperdiçar meu tempo. Eu escolhi essa abaixo, mas existem várias outras que caberiam nisso. 

"Não desperdice sua vida".

Cada vez que destravo meu celular, me lembro de não gastar mais tempo com ele do que necessário. 
Tem menos de uma semana que comecei a fazer isso, mas posso dizer que já tenho me sentido melhor. Meu objetivo é gastar cada vez menos tempo, mas só de conseguir eliminar um fator causador de danos, já percebo diferença. Minha bateria durou incríveis dois dias, consigo me concentrar mais na aula e não me atraso em pequenas coisas (aposto que você também já passou mais tempo no banheiro do que necessário). 

Além disso, consegui escrever um texto para este blog que você agora lê e também percebi que tudo isso que a gente acha "enorme" quando fica muito em redes sociais, como a tal polêmica do vestido, são na verdade, uma baita duma bobeira.


Pode ser que esse post soe exagerado pra alguns, mas conheço muita gente que está igualmente preocupada com sua relação com redes sociais, em especial, o Facebook. Lá em casa, estamos todos em guerra contra este vício e, olha, dou graças a Deus por não estarmos achando tudo normal.

Ouvi uma frase numa pregação do Ed René Kivitz que marcou minha vida: "Quando você tem algo que não consegue controlar, não é você que tem a coisa, é a coisa que te tem". Portanto, que tenhamos discernimento pra saber usar as coisas e não nos deixar ser usados por elas.

Já escrevi um texto sobre este vídeo, mas finalizo com parte do poema "Look Up", do Gary Turk:

"Olhe para cima do seu telefone!     
Desligue seu visor

Nós temos uma existência finita
Um número determinado de dias

Não desperdice sua vida
Ficando preso à internet

Porque quando vem o fim
Não existe nada pior do que o arrependimento" 




*O texto foi útil pra você? Tentou fazer isso e deu certo? Conte pra mim nos comentários!












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